Pensar Hoje - retratos do agora

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A gota

Há uma gota nova no meu copo d'água. Ainda quero tomar água. Olho o copo: este me chama, gritando para que eu o esvazie, o consuma. Não sei descrevê-lo, não digo se está meio cheio ou meio vazio, acho que já não foi enchido na totalidade.

No atual torpor, também não sei dizer se a água é doce, com aquele maravilhoso gosto de novidade, cristalina - ou se ela é inodora, insossa, meio fosca - olhos fechados, dentes cerrados e nariz entupido. É claro que lembro como são as duas!

Sinto isso porque sinto falta. Sinto, falta isso porque sinto. Tal absinto não comove a alma, ela precisa ainda de um pouco mais. Ou precisava não ter perdido mais um pouco. A caneta falhou ao passar por uma gota d'água. Não devo me prender. Não devo me prender.

Tudo bem, não quero encher novamente o copo. Já tem da outra água, essa é doída. Não posso engolir mais dor se o tomar. Que o papel leve consigo, as palavras já rimam com tais águas. Ele até parece amassado sem ter sido sequer dobrado!

Hoje não te vejo, né? Amanhã te encontro. Te encontro. Quem sabe em um dia. Saudade. Dor. Doída de falta e choro e trepidação e desespero e abraço e carta e lágrima e água e caneta e... lápide.

A carta é pra mim... As palavras são para você...

3 comentários:

rê-chan disse...

por q tudo q vc escreve me deixa suspirando :/
oh dengo :~

Marcia Soleni disse...

Não quero ser apenas um gota;
Solitária, incrivelmente inquieta.
Não ser apenas um pouquinho,
Quero estar completa,
Sorve esse teu copo transbordante de tantas histórias;
Não quero ser a gota completante.
Quero penetrar devagar, inteira.
Descanse sua vida das outras coisas,
Não quero transbordar teu copo,
Quero pertencer, permanecer, acrescentar.
Pra isso não sou gota chorosa,
Sou a tarde de riso e prosa,
Que dedico à você.
Basta esvaziar o copo.

Beijos.

Priscilla disse...

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