Pensar Hoje - retratos do agora

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Inauguração

Escrevo, neste post, à minha amiga Amanda Maron. Um comentário pertinente ao blog dela me motivou a escrevê-lo; percebo que é útil publicar, mesmo que aqui, os pensamentos que me incitam a comentar a vida alheia.

Nosso contexto, como seres humanos, sofre um choque quando nos referimos ao mundo. Sentimos que na sociedade há conflitos de valores em seus pensamentos, principalmente quando se referem a valores materiais e imateriais.

Disse, outrora, que o mundo material só o é porque o imaterial o idealizou. E é verdade: qualquer produto que se possa imaginar vem da mente da pessoa e a interação que esta tem com outros.

Concluo que o ser humano precisa, sim, do que nos referimos como necessidades básicas: comida e teto como materiais, carinho e respeito como imateriais. Porém, qual será nosso suporte? O amor? A fé? O ódio? O despeito?

Cada um tem sua maneira de lidar com o mundo. Não existe certo ou errado; as coisas simplesmente são. Quem dita que algo está certo ou errado na sociedade o faz meramente para preservá-la.

É daí que as pessoas se desentendem: realidades são diferentes, ainda mais neste país onde impera a diversidade de culturas. Mas esta realidade, a de ser diferente, a de enxergar lacunas a serem preenchidas, a de às vezes não se reconhecer no outro, pode ser a de ser brasileiro.

Somos, aqui, brasileiros. Mas falta-nos conhecimento para dizer o que realmente significa ser brasileiro. Bem, temos essa falha para descrever o que é ser humano, então poderemos menos ainda delinear uma subdivisão do mesmo.

Enquanto as definições continuarem em suas aproximações - e para sempre o serão - devemos tornar a viver a vida e respeitar cada vez mais a diferença. Para que nos enxerguemos nos outros, para criar algo maior. E reconhecermos de verdade que cada um tem um ser divino dentro de si.

Abraços a todos. Aliás, o abraço é a representação de algo muito significativo. Talvez mais que o beijo.

Um comentário:

Amanda Maron disse...

Sinto-me honrada em ter meu nome no post de inauguração. \o/

Lendo teu texto, lembrei de´dois trechos de músicas que eu gosto.
A primeira música, do Cordel do Fogo Encantado, na qual Lirinha recita "Deus ensinou os homens a criar. E foi com os homens que Deus aprendeu a amar".
Talvez não sejam essas as palavras exatas, mas é isso que ele quer dizer.
E eu lembrei disso quando você falou do imaterial criando o material.

Depois eu lembrei do Fred 04 do Mundo Livre S.A. dizendo "uma fé de cabine dupla do ano" numa música que fala do mercado, de ter um espaço nele, de concorrer e correr de promoções. E você nos disse "Porém, qual será nosso suporte? O amor? A fé? O ódio? O despeito?".

Eu não sei.
E acho muito bom não saber das coisas.

E eu não estou errada porque certo e errado não existem, certo? rs. Certo e errado, depende pra quem se pergunta.

E se você pergunta para um brasileiro o que é ser brasileiro, talvez ele não saiba te responder.
Afinal de contas, ser brasileiro é não desistir nunca, como a propaganda na TV? É se amarrar em folia, como a música de um cantor de forró? Ou seria defender a nação como pedem as forças armadas?

Eu não sei, mais uma vez.

...mas gosto de saber que você faz com que eu me questione, sempre. :)